As áspides abrem uma peculiar lista de vermes e serpentes elaborada por Eustenes, um dos gigantes de Rabelais. Depois de matar sua fome, ele elenca tudo o que a partir de então estaria a salvo de sua saliva. A compilação absurda serviu de inspiração a Foucault em As palavras e as coisas e nos dá agora um nome. Áspide que somos, iniciamos a publicação de livros nas áreas das humanidades, das artes e do design esperando escapar da voracidade do mercado editorial brasileiro, que já engoliu tantas editoras.
Os oito ensaios reunidos neste livro exploram a dissolução de fronteiras entre linguagem, realidade e imaginação no pensamento de Vilém Flusser. Abandonando as infrutíferas tentativas de acessar um suposto real já dado, eles fazem emergir ontologias produtivas, que exploram as riquezas dos processos de produção de mundos. Para isso, passeiam por áreas como filosofia, literatura, design, comunicação e arte. Trata-se, assim, de um livro marcadamente interdisciplinar, que estuda a obra de Flusser com especial atenção para sua maneira de pensar a reinvenção incessante de mundos possíveis.
O livro traça um mapa conceitual sobre a relação entre o cinema e a cidade a partir de filmes brasileiros produzidos na última década, momento crucial de transformações urbanas e do país. Mais do que textos sobre filmes que tragam a cidade como tema ou pano de fundo, a proposição é delinear algumas pistas ou operadores metodológicos para pensar de que maneira filmar a cidade é também participar nessa disputa acerca da instauração de formas de vida e modos de habitar os espaços urbanos.
Resultantes dos primeiros anos de atividade do Grupo de Estudos Discursivos em Arte e Design da UFPR, os ensaios reunidos neste livro nos levam a refletir sobre aquilo que orienta e situa nossas relações com a “visualidade contemporânea” — isto é, com a profusão de artefatos e artifícios que disputam cotidianamente nossos olhares. Refletir sobre esse tema significa colocar em questão os enquadramentos do senso comum para explorar os limites, as fronteiras, as bordas.
Como a realidade habita o que vemos? E como o que vemos habita a realidade? Esses dois questionamentos concatenados são o fio condutor do jogo entre textos e imagens que dá vida a este livro. Os textos são ensaios reflexivos sobre nossos modos de ver, sobre representação, realismo e pintura. As imagens são aquarelas que lidam principalmente com as complexidades figurativas do corpo humano e da água. Entre os dois, não há relação de subordinação nem de esclarecimento, mas, como diz o título, de sobre-posições
É comum darmos sentido ao que somos e ao que acontece conosco concebendo instâncias problemáticas, corrompidas ou más agindo dentro de nós — o ego, a carne, a depressão etc. Evocamos tais instâncias para explicar nossos sofrimentos, fracassos e angústias; e as imaginamos como bestas que nos ameaçam em nossa própria interioridade. Este livro traça um panorama genealógico dessas bestas, mostrando como elas transitam das produções teóricas ao senso comum, e passam a pautar nosso entendimento do que somos e do que é bom — ou mau — para nós.
Somos uma editora dedicada a publicar livros nas áreas das humanidades e do design. Privilegiamos abordagens interdisciplinares, que borrem as fronteiras entre diferentes campos do conhecimento. Para atuar no clima árido do mercado editorial brasileiro, inauguramos um novo modelo de negócio: lançamos nossas obras com um projeto de crowdfunding.
Editores
Wandyr Hagge (ESDI-UERJ)
Daniel B. Portugal (ESDI-UERJ)
Conselho editorial
Rogério de Almeida (USP)
Gustavo Silvano Batista (UFPI)
Marcos Beccari (UFPR)
João De Souza Leite (ESDI-UERJ)
Ricardo Cunha Lima (UFPE)
Marcos Veneu (FCRB)
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